Estamos Indo Para o Abismo Dançando

17:44


Olá, como estão? O Cabo do meu notebook está quebrado (se alguém quiser me dar um novo, aceito) e meu bebê não tem nem 7% de bateria, o que quer dizer que eu vou atrasar com essa postagem e isso me deixa terrivelmente triste, porque sinto que estou quebrando um compromisso que eu já havia quebrado quando não consegui postar duas vezes por semana. Mas eu estou precisando e querendo escrever, então me esforçarei para redigir e publicar logo, se você está lendo isso no sábado, eu consegui.
Eu já devo ter contado que estou fazendo curso pré-vestibular e ele é gratificante e cansativo ao mesmo tempo, gosto muito de aprender finalmente coisas que eu nunca entendera no ensino médio por aprender e não para ganhar nota - até porque, para ganhar nota na escola, a última coisa que você tem que fazer é aprender a matéria, mas isso fica pra outra postagem. 
Ontem, sexta  à noite, debatemos sobre algo que eu queria muito conversar com vocês, já tínhamos debatido sobre várias coisas importantes, mas não me tocaram tanto quanto o assunto da postagem de hoje.
Por que vocês estão aqui? Não aqui no mundo ou aqui na sua casa, na sua vida. Aqui na Internet, lendo isso, agora. Por que?
Vocês provavelmente me responderiam "porque estava buscando entretenimento e achei seu blog" ou "não tinha nada melhor pra fazer" ou até "vim pra divulgar meu blog e sinceramente não estou lendo essa postagem para comentar a respeito e sim para dizer 'segue meu blog'" (aliás, não gosto de gente assim, eu visito e comento nos blogs porque gosto do conteúdo e sinto que mantenho uma amizade fazendo isso, se veio só pra divulgar e não liga pro que escrevo, vai embora, por favor). Mas você não veio aqui para nada disso, você não está na Internet para nada disso.
Vamos à outro ponto importante, você com certeza está com uma guia do Facebook aberta. Ou o celular com o Whatsapp aberto no seu colo. Você está twittando algo aleatório no Twitter ou o Tumblr está te fazendo sair dessa postagem a cada 5 segundos. Você está viajando no Pinterest, vendo fotos bonitas e coisas interessantes e ainda está aqui. Você está tentando se achar e não sabe onde está, pois você está em todo lugar e em lugar algum. Você não sabe quem é.
Quem você era antigamente? Era o número 99.999.999-0 e 000.000.000/99. Isso já era horrível, mas era sólido, era seu. Você tocava no seu documento e sabia que o que você era estava ali, em suas mãos, seguro. Hoje você é um perfil no facebook, um @Gmail.com, um user no Twitter, instagram, você é virtual, está no ar nesse mundo que nenhum de nós realmente alcança, que nenhum de nós tem poder de verdade, identidade de verdade. Eu falei sobre as pessoas que comentam aqui apenas por seguidor, eu sou só um número pra elas, sei que se eu não visitar elas não vão pensar "a Gabi não veio ver o blog" e sim "um número a menos que o esperado nas estatísticas". Sei que se elas bloquearem meu acesso no blog delas simplesmente não poderei entrar, mesmo com essa falsa liberdade que a internet vende. Você pode achar que não vai ser assim, mas se amanhã de manhã o Mark resolver que você não entra no Facebook mesmo a senha sendo "inteiramente sua" e o perfil sendo "seu" você não entra. As vezes você sente que pode tocar o mundo virtual? Que faz parte dele, mas ele é líquido e você acaba se tornando também; nem ao menos consegue se tornar uma mistura homogênea, mas não dá e você acaba não pertencendo ao mundo que dizem que qualquer um pode pertencer e não se pertence. Você se perde nessa liberdade que a tecnologia nos trouxe.
Lutamos tanto para alcançar a liberdade e ser quem somos, mas o que somos realmente? O que queremos ser? Sem as amarras podemos ser qualquer coisa e pior que não poder ser nada é poder ser tudo. Ficamos perdidos com tantas possibilidades e normalmente optamos pelo que nos encanta, porque perdemos o encantamento há tempos e se não temos porquê lutar, se não temos um caminho a seguir, pra onde iremos? Impomos leis e limites em nos mesmos porque gostamos disso, gostamos de não poder fazer tudo, isso nos da um rumo, assim temos o para onde não seguir e fica mais fácil enxergar o para onde seguir. Criamos princípios para ter a base da estrada e depois deixamos apenas o meio decidir o caminho em si. Seus pais opinam e você aceita, mesmo não precisando. Seu(ua) namorado(a) diz o que deve fazer e você aceita, mesmo não precisando. Mas essas relações também são líquidas, pois eles buscam o mesmo que você, a sólida e segura felicidade. Quando você não preencher os requisitos e a pessoa não se sentir mais feliz ao seu lado ela vai embora. O respeito se tornou líquido, o amor sempre fora. Antigamente os pais olhavam para os filhos e sabiam que ele os respeitaria, sabia que ele não levantaria a voz e faria o que fora ordenado. Mas, hoje, que garantia temos? Além da fé, que já está "fora da moda" desde o renascimento, não temos no que nos apoiar nem ter a garantia que não acordaremos um dia sozinhos.
Essas incertezas nos faz seguir o que todos os outros estão fazendo, se entregar para a rede que vende aceitabilidade e segurança e, assim, postamos no Facebook uma foto mostrando como estamos felizes para que as pessoas acreditem nisso, para sentirmos que somos.
Não fiz essa postagem para fazer vocês se sentirem inúteis ou me darem respostas às perguntas que ganhei com o debate. É para que se sintam incomodados e pensem. Pensem nas amarras que se colocam e em como estamos indo para o abismo dançando com a Internet e a sociedade atual.
Espero que sintam o que senti.
Até mais.

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6 comentários

  1. Seus textos são sempre muito marcantes. O mundo meio que está de cabeça pra baixo mesmo, vivemos de aparências e não sabemos mais o que esperar das pessoas. Não dá para agradar a todos, na maioria das vezes estamos nos desagradando quando fazemos isso.
    Com certeza esse abismo está cada vez mais perto :(
    Beijos
    BlogCarolNM
    FanPage

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  2. Eu procuro não ficar muito dependente da tecnologia, mas nos dias de hoje isso é bem complicado. Acredito que o problema é o excesso, tudo em demasia não faz bem. Gostei do post!
    Beijos
    Bluebell Bee

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  3. Palmas para o seu texto! Estamos indo para o abismo e nem estamos sentindo isso nem se importando. Você foi feliz quando disse que as relações na internet são líquidas e que os relacionamentos são superficiais. As pessoas se acostumaram a viver nessa caixa, e não veem mais graça na vida lá fora. Uma pena mesmo!
    Boa semana pra você!
    Beijos!

    http://jj-jovemjornalista.blogspot.com.br/

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  4. Interessante a sua opinião, acho que pensava o mesmo mais não dessa forma, era meio que a respeito de tudo, não só na internet mais na vida também, encontrei na rede um meio de me socializar, diferente demais do meu ambiente de trabalho ou faculdade, "fingir" uma felicidade e um sorriso eu levo para os dois também, se tornou um hábito. Agora relações amorosas estão cada vez mais dependente das redes do que antigamente, um olho no olho por exemplo ou uma conversa que precisaria ser dita ao vivo se tornou rara :D

    http://www.sweetexpected.com.br/

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  5. Eu sempre tenho essa sensação e justamente por isso limito a minha participação na Internet ao meu blog, às minhas contas de e-mail e ao meu WhatsApp. Eu simplesmente não consigo me sentir confortável em um perfil de Facebook nem mesmo no SnapChat - parece que aquilo tudo é só uma forma de fazer as pessoas te ouvirem ou te verem, mesmo que sejam pessoas que nem se importam com você. Gostei muito da reflexão, mais um texto daqui que adoro ler! Beijinhos, Beatriz.

    www.odiariodeumaescritorainiciante.blogspot.com.br

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  6. Poxa, seu texto é bem verdadeiro. Às vezes, quando a internet cai em casa ou qualquer outro lugar, eu fico me fazendo esse tipo de perguntar, e olha que nem sou das mais viciadas em redes sociais, diante dos exemplos que conheço, mas fico angustiada. São realmente amarras que tem causado problemas cada vez maiores para nós e nós nem percebemos. Gostei muito do seu texto!

    Beijos,
    Postando Trechos

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