Diário de Viagem

08:51

Olá amores do meu coração (quando eu chego muito carinhosa é porque me sinto culpada), desculpem por não postar a semana inteira, é porque me envolvi em uma semana de provas e ela virou duas e agora acabou, graças aos céus. Não sei se terei tempo de postar, porque pretendo começar um cursinho pra passar na boa e velha faculdade de publicidade que vocês tanto ouvem falar no mundo dos bogs, SIM! Mudei de ideia pra curso de novo, porque acho que quero começar com publicidade e depois a de produção que tem somente 2 anos e meu pai apoiaria mais (mentira, ele só apoia se eu escolher direito ou medicina, ou se eu quiser ir pro exercito). Mas enfim, vim postar sobre minha doce e bela viagem à praia, que não é muito interessante, mas foi uma boa viagem e tentei gravar tudo que senti na esperança que vocês sintam daí também.
Ah, e eu não sou fotografa e nem muito boa nisso, então desculpem pelas fotos.

Dia 1. 06hrs 02'




Acordei exatamente na hora em que o nascer do Sol ultrapassava algumas árvores, poderia ser apenas coincidência, a luz do Sol no meu rosto ou algo assim, mas acredito que foi um sinal, do quê eu já não faço ideia.
A imagem do Sol me dando boas vindas era tão natural, tão poética que fotografei, não teria como colocar em palavras os tons se mesclando com uma sutileza inimaginável na cidade. Lá o nascer do sol é bruto e apressado, como o próprio lugar, aqui o sol não tem pressa, pinta o azul de amarelo, rosa e vermelho aos poucos, com uma precisão de artista, sorrindo ao observar seu trabalho surgir da escuridão da noite passada.
Mesmo a própria manhã parece mais alegre, mais doce, como passar muito tempo acordando com uma adolescente rabugenta e um dia acordar com uma criança sorridente.
Gosto do pressentimento que cresce em mim, não é algo bom, é diferente, como se esses dias fossem me mudar de alguma forma. Deve ser porque li ontem a noite um livro romântico, então estou dando uma de adolescente sensível ansiosa cheia de hormônios.
A neblina ainda enrola algumas montanhas como uma manta mesmo já sendo de manhã, eu amo incondicionalmente minha cidade grande e seus prédios e correria, mas as paisagens de lugares novos e mesmo desse  que eu já passara algumas vezes sempre me conquista, sempre muda, sempre se renova pra mim.

Dia 1. 7hrs 36'
A primeira coisa que pensei quando desci do carro foi "por que diabos eu não trouxe allstar?". A rua sem asfalto e a tranquilidade me fizeram sentir falta de algo mais familiar e que não machucasse tanto meus pés que minha sapatilha. Os donos da casa e amigos da família são sempre exageradamente simpáticos, o que dava um ar mais de interior ao ligar do que de litoral.

Dia 1. 11hrs 53'
Ouvir histórias é a minha parte preferida da praia, quando todos estão mais calmos e contam de suas vidas como se estivessem distantes, perdidas. Como eu viajava apenas com a minha mãe, sempre ouvia as mesmas histórias e isso me dava sono, mas é a primeira vez que viajo com meu pai, e a minha madrasta tem histórias emocionantes. Meu pai resolveu ir pescar e sem nem ao menos perguntar se queria acompanhá-lo. Porque eu queria! Mas pelo menos não vou passar o dia morrendo de enjoo com homens falando de trabalho ou carros.
Gosto da sensação de estar de frente pro mar, me sinto invencível, como se eu pudesse tocar seu fim,  alcançar o céu. Ao mesmo tempo, me sinto infinita como eles e me perco observando até onde minha vista alcança, onde parece que eles se mesclam e se tornam um só. É um pecado chamar de bonito, é especial.

Dia 1. 12hrs 48'
Um homem de uns 40 anos passa próximo de mim, está completamente vestido de Preto, mesmo estando muito calor e seus cabelos grisalhos estão parcialmente escondidos por um boné, ele oferece tornozeleiras de mesa em mesa e pega uma garrafa de refrigerante da mesa vazia ao lado da minha, ainda sobrou 4 dedos da bebida e ele tenta colocar civilizadamente no copo para beber, mas se atrapalha com as tornozeleiras e derruba na mesa, vejo seus lábios se movendo em uma ofensa silenciosa antes dele levar a garrafa a boca e beber. E penso muito em como seria ter como único sustento àqueles acessórios, em como seria não ter nada para beber em um dia de sol e em como seria ter usar roupas compridas e pretas na praia por serem as única peças disponíveis. É algo que realmente merecia um registro.

Dia 1. 14hrs 53'
Descobri que odeio a física na prática tanto quanto na teoria do ensino médio. Mudei de lugar pela milionésima vez porque a sombra do guarda-sol cobre toda a luz a cada 5 minutos.
Depois de me perder na leitura de um romance tremendamente sentimental e parar por não gostar (ou gostar, mas não querer chorar na frente da família por dramas adolescentes), começo a ter o meu drama adolescente e em dar no sofrimento que terei para hidratar meu cabelo, que prendi em um coque. Estou pensando seriamente em cortar sozinha pela primeira vez assim que voltar.
A música ao vivo anima minha madrasta e ela fala sobre querer que meu pai estivesse aqui para dançar e irritar ele. Hormônios e amor adolescente na idade adulta. Meu pai ainda não voltou da pescaria, mesmo sendo quase 3 horas e deveríamos almoçar aquele peixe (não gosto de comer peixe, por isso não estou reclamando).
Meu melhor amigo ia gostar daqui, pois adora praia e é meio rippie. Provavelmente ele surtaria ao ver a sujeira da mesa, já que é envolvido em causas ambientais (e suspeito que venda artesanato, não coma carne e cante reggae quando não estou perto), mas seria legal ter com quem conversar, silêncio é estranho pra alguém como eu, acostumada a ser ouvinte.
Engraçado como o tempo para e os ponteiros continuam girando. Estou aqui faz um infinito e ainda são 15 horas. Como é possível?
Uma gaivota corta o céu e o mar, rápida demais para que eu consiga fotografa-la, livre demais para que eu tenha a coragem de tentar. Seu vôo preciso, poderoso, mostra como não tem medo dos penetras em sua praia, este é o lugar dela e ela faz sua performance mostrando isso, que pertence a este lugar como ele pertence a ela, que ninguém tem o direito de prende-la, nem em fotografia.
Peguei algumas conchas para tentar fazer um pingente e usar como colar, alguma vai funcionar.

Dia 1. 20hrs 52'
Odeio a tecnologia e sua bateria esgotável.
O pôr-do-Sol foi incrível, entro sempre em dúvida se prefiro ver ele se pondo ou nascendo. Os dois são lindos. O nascer transparece o recomeço e o pôr se estende de forma interminável, exibindo seu próprio tempo.
Eu estava escutando música quando minha bateria acabou, exatamente no meio dessa minha reflexão sobre o por e o nascer do sol. Uma garotinha de 5 anos perguntou porque tirei os fones de ouvido e quando eu a expliquei ela disse "é, a vida é assim, descarregável". E isso foi a coisa mais legal que ouvi em muito tempo.
O peixe que meu pai pescou e preparou estava maravilhoso,  segundo ele, j[a que eu não como, mas foi legal vê-lo tão concentrado e cuidadoso limpando os peixes, como se fizesse uma pequena cirurgia em cada um.
Meus pulmões parecem explodir de alegria por terem passado o dia com ar puro e quase sem poluição, minha renite não deu nem sinal de existência desde que cheguei aqui, sinto como se tivesse o melhor sistema respiratório do mundo. Obrigada falta de poluição.

Dia 2. 08hrs 40'
Gosto das manhãs, elas despertam o melhor em mim. Depois que eu levantar e escovar os dentes e sentir aquela coisa que só as manhãs tem, algo como "ei, o mundo está dormindo, faça uma surpresa e o acorde" ou "renasça, recomece, hoje, agora".
Senti muito disso hoje e resolvi usar um vestido de margaridas. Ele deu sorte e agora meu pai está me levando para a pescaria, não sei se realmente iremos pescar ou só conversar, mas no caminho vi que as placas estavam do lado oposto da rodovia e acho que esse anti-fluxo foi um sinal, pois me trouxe uma sensação de diferencial, de sermos únicos e isso está queimando em mim.
"Sou única"
"Sou feliz"
"Vou acordar o mundo"

Dia 2. 10hrs 07'
Tomamos café na casa de um casal de pescadores muito simpáticos que também são obcecados por corrida, resolvemos ir pra praia juntos para que eles fossem correr e a gente assar uns peixes a beira-mar. Eles mostraram as muitas medalhas de corridas que eu teria ficado cansada só de






vê-los. Foram bem legais comigo e contaram como eu era quando era só uma garotinha de 3 anos que corria por aí com os cachinhos voando. A casa era linda e tinha parede de tijolos na frente e na sala de estar um sofá digno de um diy (não tirei foto para não ser mal educada).
Estamos a caminho da praia e o céu está tão azul e tão sem nuvem alguma que se eu fotografasse ia parecer que derramou tinta azul-céu no paint e salvei como foto.
Esse é meu segundo dia sem acesso a Internet alguma e não senti muita falta, só dos meus amigos e do blog. Muita falta de ler outros blogs e de ver vídeos no YouTube. Ao menos tenho tempo de descansar e esquecer todos os trabalhos e correrias. Penso nelas na minha próxima folga, sexta feira, quando eu tiver tempo para elas. Agora estou ocupada com o céu azul e o mar a minha espera. Estou ocupada com essa imensidão verde e essa ideia de que aqui é interior e litoral ao mesmo tempo e estou ocupada fugindo de todos os pensamentos que me fariam mal.
Que fiquem na cidade grande junto com meus trabalhos e com as pessoas que me colocam pra baixo, que fiquem longe de mim.

14hrs 57'
A paz que este lugar exala é inimaginável.
Ainda não almoçamos e ninguém se atreveu a tocar no assunto. Mas estou com fome, mesmo com a quantidade extrema de besteiras e pão que comi. Provavelmente comeremos peixe essa noite, por isso não estou com pressa nem com vontade de insistir no assunto.

16hrs 51'
Algumas pessoas voaram em asa-adeltas e ver aquilo me fez pensar em como eles deviam se sentir livres.
Voltamos pra casa no momento que eu mais gosto da praia, quando o sol baixa, a maré deixa milhares de conchas na areia e a praia esvazia.
Me fizeram nuggets pra comer no lugar do peixe e fiquei muito agradecida, pois só o cheiro já estava me dando enjoo.

19hrs 20'
Hora de ir pra casa. Não estou mal com isso, já que estou com saudades e amanhã tem aula, também tenho colares de conchas pra fazer e não paro de pensar em casa. Estou ouvindo 505 no caminho, pensando se minha garota estaria agora com a mão entre as coxas esperando por mim e sorrindo. Provavelmente não. Mas tudo bem, é bom imagina-la assim, sendo minha e me esperando voltar lá pelas 7.
A noite nos engole aos poucos e penso se os locais pelos quais passamos a noite seriam cenários de filmes de terror, pois parecem bem ameaçadores do que durante o dia.
Não há estrelas nem lua no céu, mas mesmo assim estou gostando. Prefiro viajar pela noite/madrugada, pois parecemos controlar o tempo a nossa volta, como se disséssemos a ele se corre ou anda, se o sol nasce agora ou demora mais ao nascer. A estrada é sempre acolhedora pra mim, faz com que eu me acalme.

E é isso.
Até mais.

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6 comentários

  1. Sua viagem deve ter sido uma delícia...e as fotos demonstram exatamente isso..essa paz, esse sossego.Suas fotos ficaram lindas! E ah, tá perdoada só porque tava estudando. ahahaha
    beeeijos

    www.marinaalessandra.com

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  2. Oláá guria, tudo bem??
    Já pensei muito em fazer publicidade, mas mudei para jornalismo. Também não uma das profissões favoritas do meu pai, mas ele me apoia, mas também acho que ele apoiaria muito mais se fosse Direito ou Medicina, que preconceito com o jornalismo USHUSHUS.
    Adorei as fotos, ultima vez que fui para uma praia foi há 11 anos atrás, e foi a primeira vez.
    Amo também os momentos em que sentamos e as pessoas começa a contar sua vida e seus pensamentos distraidos, tendo aquele papo gostoso e bacana, de uma certa forma me acalma.
    Gostei muito do post, me senti que estava junto contigo nessa viagem USHUSHU
    Adorei seu blog, tu escreve muito bem, estou seguindo com maior prazer e te convido para dar uma olhada no meu.
    Beijoooos ♥
    xx Mari,

    http://devaneiosbm.blogspot.com.br/

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  3. Muito legal seu diário, linda! Sabe que as manhãs também despertam o melhor de mim. Adoro aquele fresquinho e aquele cheirinho sabe. Sei lá, sinto como se eu ainda fosse criança quando sinto esse cheiro.
    Hahaha quando vou para a praia também não posso nem comer peixe, o cheiro me enjoa também.
    Beijos
    BlogCarolNM
    FanPage

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  4. Belo diário de viagem e belo local! Tô precisando muito de uma praia também.
    Gostei do seu blog, também estarei por aqui agora.
    Beijos e boa semana!

    http://jj-jovemjornalista.blogspot.com.br/

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  5. Ótimo post!!!!!!

    >>> http://gilustre.blogspot.com.br/

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  6. ahhhhhh essas fotos me fez lembrar da minha viagem! Que saudade
    Beijos!

    http://dearitgirl.blogspot.com.br/

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